Meio Ambiente

Assédio de mineradoras e atividade ilegal de mineração atingem a Terra Indígena Caramuru Paraguaçu (9/29/2017)

O Pau Brasil Notícias recebeu neste domingo passado, dia 25 de setembro, grave denúncia de atividade ilegal de mineração nos limites da Terra Indígena Caramuru. Neste mesmo dia, nossa equipe comunicou ao pessoal da Secretaria de Meio Ambiente de Pau Brasil a possível atividade ilegal de pesquisa mineral.

A denúncia foi apresentada pelo Cacique Nailton Muniz.

PBN- Como você soube que estava havendo pesquisa mineral nos limites da terra indígena?

Nailton Muniz. – Eu conversei com Diguir o que aquele compressor estava fazendo perfurando aquela rocha, que é logo aqui ao lado de minha casa, e ele disse que o pessoal estava fazendo uma pesquisa para ver o que aquela pedra era, que tipo de minério aquela pedra tinha, eu perguntei se realmente essa empresa iria explorar aqui nessa região, ele disse não sei se vai explorar em toda região, mas sei que se aqui der o minério a gente vai estudar as possibilidades de explorar.

Essa denúncia vem ao encontro de várias comunicações informais que nossa equipe vem tendo de tentativa de mineradoras aliciarem os indígenas para a prática ilegal de exploração mineral no interior da Terra Indígena.

PBN- Você tem recebido alguma notícia de mineração dentro da terra indígena?

Cacique – Várias vezes apareceu representante de mineradora aqui, por que a gente na região da Paraíso tem um grande rochedo de pedra azul, e muita gente chega com interesse falando que nós poderíamos combinar para explorar esse rochedo, e a gente sempre demos a notícia que nós não podemos fazer isso, por que isso é um grande prejuízo para nossa comunidade, isso causa muitos danos, a prostituição, influencia de drogas dentro da comunidade, assassinatos, e nós queremos evitar o máximo que essas coisas venham a acontecer.

PBN- Você foi informado pela prefeitura ou pela FUNAI, ou por algum outro órgão público que estava tendo pesquisa para exploração mineral na fronteira da Terra Indígena?

Não, nunca fui formado nem pela FUNAI, e nem pela prefeitura, muito pelo contrário, a gente tive uma reunião onde tratava-se da duplicação da Br101, e nessa reunião, veio uma equipe de Brasília junto tinha um representante de mineradora.

PBN- O que foi discutido nessa reunião?

O que foi discutido é que eles citaram que com a duplicação da Br 101, que os índios poderiam ser atingidos indiretamente, ter um impacto indiretamente e por isso eles estavam estudando as possibilidades dos índios serem indenizados em qualquer tipo de beneficio.

Erlon Souza periciando a área.

Na segunda feira, dia 26 de setembro, a Secretaria de Meio Ambiente de Pau Brasil, já informada desde o domingo, destacou pessoal para in loco fiscalizar e verificar a denúncia. A equipe do Pau Brasil Notícias acompanhou a fiscalização até o local. Se deslocaram para a fazenda alvo da denúncia o fiscal Erlon Souza, que também é membro da comunidade indígena e pós graduado em Gestão Ambiental, e Liliane Gomes também pós graduada na mesma área.
Os dois funcionários da prefeitura colheram fotografias e coordenadas geográficas, nos informando que estava confirmada a procedência da denúncia, e que o caso seria levado ao secretário Alberto Evangelista que nos concedeu a seguinte entrevista.

PBN- A quem cabe emitir a licença ambiental para exploração e pesquisa mineral no município de Pau Brasil?

Cabe a Secretaria de Meio Ambiente, isso é prerrogativa do estado mas o estado pode passar essa prerrogativa para o município, desde que a Secretaria esteja legalizada, arrumadinha, com conselho de meio ambiente, então a Secretaria daqui de Pau Brasil é quem dá essa licença.

PBN- Vocês emitiram licença ambiental para pesquisa mineral na fazenda do Sr. conhecido com Diguir, na estrada que vai para subida da torre de TV?

Não, nós não sabíamos dessa história dessa empresa para lá, não tem nenhuma licença, nem para pesquisa nem para exploração, nada.

PBN- Vocês estão conscientes de atividade de pesquisa mineral nessa área citada?

Alberto Evangelista- Tomamos consciência hoje, 25 de setembro, e já mandamos o fiscal daqui da Secretaria olhar a área e vamos tomar as medidas cabíveis.

PBN- Estando a prefeitura liberado atividade de mineração dentro do município, como poderá fiscalizar a atividade de mineração se não possui veículo disponível para essa finalidade, conforme fomos informados?

Alberto Evangelista- Na administração anterior eles fizeram a Secretaria, mas deixaram a Secretaria ai completamente sem condições de funcionar, quando nós assumimos continuou sem condição, e de janeiro até agora, até setembro eu tenho usado o meu veículo particular nessas fiscalizações, e ai nós fizemos um trabalho de acompanhamento de fiscalização em todas as mineradoras, e até no que diz respeito a cidade, agora meu carro quebrou, estamos com um problema, para a gente ir hoje fazer essa fiscalização na fazenda citada, precisou de um veículo de amigos, nós não tivemos veículo. A Secretaria não tem aparelhamento, não tem infraestrutura para seguir adiante.

PBN- Que providências serão tomadas pela prefeitura municipal de Pau Brasil, agora que foi informada das atividades ilegais de mineração no município?

Alberto Evangelista- Atividade ilegal só tem essa, as outras mineradoras elas estão legais, houve licença, tem problemas com elas de vez em quando, um probleminha aqui e ali, a gente vai resolvendo, a única que está na ilegalidade é essa que nós fizemos essa fiscalização hoje, então nós vamos usar a lei, o que tiver na lei nós vamos aplicar.

Nossa equipe percebeu que é impossível afirmar que não existe outra atividade ilegal, tendo em vista que a Secretaria deixa claro, e ficou evidente durante o acompanhamento, que esta não possui sequer veículo para exercer a atividade de fiscalização.

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A área onde foi feita a coleta ilegal de material para pesquisa fica imediatamente ao lado da Terra Indígena, muito próxima à assentamentos que os indígenas tradicionalmente chamam de aldeias. A ilegalidade da atividade se configura pela ausência de licença ambiental, que deveria preceder à atividade, e que só poderia ser emitida se não fossem encontrados impedimentos para tal. A proximidade com a aldeia, com assentamentos humanos e do rio conhecido como Córrego Verde, são impedimentos óbvios e que foram constatados pela equipe do Pau Brasil Notícias durante a vistoria na área. Consultado à respeito, o Cacique se pronunciou.

PBN- Quantas famílias indígenas serão atingidas diretamente com exploração de mineração aqui próxima a terra indígena?

Nailton Muniz- Aqui próximo essa área aqui nos temos um total de 11 famílias que seriam atingidas diretamente com essa exploração por estarem muito próximas, praticamente em cima, da área pesquisada. Independente dessas famílias que estão aqui ao lado, a um quilômetro e meio, nos temos uma aldeia muito grande com mais de 100 famílias nessa localidade, e que tenho certeza que se essa exploração, se realizada, vai atingir toda essa comunidade, e agente não está de acordo por que também não fomos consultados e nem foi feito estudo nenhum nas áreas pra alguém chegar de uma só vez com intenção de exploração.

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Samuel Wanderley, Antropólogo residente na Reserva Indígena acompanhou a fiscalização da Secretaria de meio Ambiente para realizar perícia independente.

Samuel- Cheguei a seguinte conclusão, não podem ser emitidas licenças de exploração, e sequer de pesquisa, para estas áreas devido à proximidade de assentamento humano, e de afetar área sujeita, por ato do Poder Público, a regime especial de uso, de acordo à lei 9.605. As famílias indígenas ali presentes, e assentadas em caráter definitivo na área que pode ser qualificada como aldeia, com presença de casa típica usada pelos indígenas para atividades religiosas, roças, moradias, cemitério etc, teriam que ser removidas do local, o que é proibido pelo parágrafo 5º do artigo 231 da Constituição Federal “É vedada a remoção dos grupos indígenas de suas terras, salvo, ad referendum do Congresso Nacional, em caso de catástrofe ou epidemia que ponha em risco sua população, ou no interesse da soberania do País, após deliberação do Congresso Nacional, garantido, em qualquer hipótese, o retorno imediato logo que cesse o risco.” Também devido à proximidade, a localidade conhecida por Caramuru, a aldeia mais tradicional dos Pataxó Hãhãhe, ocupada por centenas de famílias indígenas, também dentro da Terra Indígena, seria atingida pela atividade de mineradora no local. Mesmo assim, se constatou atividade de pesquisa mineral na área, o que denotou interesse de mineradoras no local, e comprovou atividade ilegal de mineração em seus estágios iniciais. Esta atividade põe em grave risco o direito dos indígenas ocuparem seu território de acordo aos seus usos, costumes e tradições, o que entra em conflito com a Constituição Federal, que veda o uso da Terra Indígena para finalidade diversa da ocupação tradicional indígena, ou o impedimento desta.

Vista da área afetada. À esquerda do observador, a Reserva Indígena.

Fabrício Titiah, indígena residente na TI Caramuru nos deu entrevista no sentido de esclarecer mais alguns pontos.
Fabrício- Há anos que sabemos que esta mineradora estava a caminho de nossa região. A informação veio à público na anterior gestão da prefeitura de Pau Brasil, quando o prefeito Alberto Rocha, deixou bem claro que a prefeitura tinha interesse em explorar minérios no município, como o único meio de ascender Pau Brasil economicamente. Com

Córrego Verde, afetado pela atividade ilegal.

isso começaram os boatos de que a mineradora estaria influenciando alguns membros da comunidade indígena, tentando convencer estas pessoas a se posicionarem à favor da exploração de minério dentro do Território Indígena. Disseram que isto iria trazer inúmeras melhorias, principalmente financeiramente. Em uma reunião para tratar sobre a mineração, no início deste ano, que esteve aberta para toda população, onde eu e outros membros da comunidade estávamos presentes, a nova gestão mostrou dar sequência ao projeto de mineração no município. Mesmo sendo muito questionado pelos Indígenas presentes, o representante da mineradora, pode não ter afirmado que iam entrar na TI, porém suas explicações deram a compreender o contrário, pois sempre citava que com a exploração na TI ia trazer inúmeros benefícios, e mesmo com a exploração não seríamos afetados, nem nosso meio ambiente, o que sabemos ser impossível.
Eu como jovem Indígena, fico extremamente preocupado com o impacto ambiental que estaremos vulneráveis com a mineração, nossos rios, nossa fauna, flora, meus parentes Indígenas todos a mercê da ganância pela riqueza, como vemos o que sempre aconteceu com nossa mãe Amazônia e seus filhos, os indígenas, a mostra da catástrofe causada pela exploração.
Minério não é mais importante do que um índio. E o futuro de nossos jovens e crianças Indígenas? E as nossas florestas sagradas? Não vamos nos calar diante desta afronta a vida, sim, é nossa sobrevivência que está a venda. Vamos lutar para que não explore nossas riquezas naturais, nosso lar. Vamos articular nossa comunidade para lutar pela sobrevivência, nossas vidas não vão estar a troca de minério.

Bifurcação que dá acesso à fazenda denunciada e à Reserva Indígena, demonstrando a proximidade em razão de ser zona de fronteira e a devida placa sinalizadora instalada pela FUNAI.
Alberto Evangelista em reunião com o Cacique

Nesta quarta feira, 27, o secretário de agricultura e meio ambiente de Pau Brasil, e ex chefe de posto da TI Caramuru, Alberto Evangelista, esteve em reunião na casa do Cacique Nailton e nos informou que, em depoimento na Secretaria, o senhor Diguir informou ser arrendatário da fazenda, e que seu dono é Edson Nascimento. O mesmo teria alegado que o minerador agiu de má fé dando a entender que sabia o que estava fazendo, inclusive tendo alertado ao mesmo da proximidade com a Reserva Indígena. Foi também descoberto pela Secretaria que este mesmo minerador já havia feito pesquisa mineral na fazenda onde hoje está o assentamento Dilma Rousseff a aproximadamente dois anos, e também aparentemente sem as devidas licenças. Este fato é de extrema relevância e preocupação, tendo em vista que tem dois anos de atividade ilegal de pesquisa mineral dentro do território do município. Disse também o Diguir que a escolha do local para pesquisa se deu em razão da área pesquisada anteriormente por esta mesma empresa não possuir acesso fácil, de modo que os seus representantes circularam pelo município e visualizaram as rochas próximas à estrada, na fazenda do senhor Edson.
O secretário demonstrou preocupação com a proximidade da reserva, e deixou claro estar entendendo não estar pesquisada a área apta licença em razão da proximidade com Reserva, não respeitando uma “zona de amortecimento” que necessita existir para evitar os impactos negativos para a comunidade indígena.

Pela noite os indígenas da aldeia local, mais próxima à zona pesquisada ilegalmente, realizaram ritual para pedir proteção aos encantados contra esta agressão à comunidade.

Texto: Olinda Muniz Wanderley

Imagens: Samuel Wanderley

Chuvas provocam enchente em Pau Brasil (7/10/2017)

A forte chuva que ocorreu durante a noite de domingo (09), provocou enchente no Rio Água Preta na cidade de Pau Brasil, e deixou duas ruas alagadas. Onde é conhecidamente chamada pelo nome de Rua da Jega, cerca de 13 famílias em situação de vulnerabilidade encontram-se abrigadas temporariamente em uma escola.

Moradores da Rua da Jega, vivem o drama de terem suas casas alagadas. As chuvas contínuas registradas nós últimos dois dias fizeram o rio encher acima da média anual, e as casas de 13 famílias foram inundados.

Foto Facebook Conterrâneos de Pau Brasil

Eliene Alves, moradora do bairro, conta que, por volta das 22h de ontem, o Rio começou a trasbordar e durante a madrugada a água adentrou nas casas. Conforme a Secretaria Municipal de Assistência Social, Tatiane Prado, quando soube, imediatamente foi prestar solidariedade aos familiares, constatando que não havia possibilidade dos mesmos continuarem no local. Para resolver a situação emergencial das famílias, foram transferidas para o Colégio Otávio Mangabeira, onde terão acesso a comida, colchões e cobertores, agasalho, além de assegurar que as famílias tenham acesso a higiene pessoal. Tatiane lembra, que essa ação é emergencial, e que a gestão Municipal tem olhado com carinho essa situação. Em um segundo momento a proposta é fazer casas para doar para essas famílias, evitando que novos episódios desse tipo venham ocorrer, já que as casas se encontram na planície de inundação, às margens do Rio Água Preta.

Segundo o vereador Elder Almeida, essa situação é um problema difícil de ser resolvido, pois esses moradores não estão como prioridade no cadastro de habitação por não possuírem documentos pessoais, outra questão é a falta de recurso que dispõe o município para solucionar essa problema de moradia. Considera que, o aluguel social seja uma opção a curto prazo para resolver a situação. O Aluguel Social é um recurso assistencial mensal destinado a atender, em caráter de urgência, famílias que se encontram sem moradia. É um subsídio concedido por seis meses. A família beneficiada recebe uma quantia equivalente ao custo de um aluguel popular. De acordo com Almeida, o município dispõem de meio legal para formalizar o contrato. Almeida também vê a necessidade do município elaborar relatório físico e fotográfico para ser encaminhado ao governo do estado, cobrando que resolva a situação.
Houve alagamento na Rua Travessa Leocádio Santana, no Estádio Municipal e no Parque de Exposições. Segundo relatos a água do rio chegou a escoar pelas ruas em direção à rodoviária.
As crianças aproveitaram a enchente para brincar pulando da ponte para o Rio Água Preta, na saída da cidade que segue pela estrada Pau Brasil-Itajú do Colônia, ignorando risco de doenças e afogamento.
As chuvas, entretanto, são características da região, cujo regime pluviométrico é relativamente alto, ocorrendo maiores precipitações em alguns anos. Estas chuvas, que vem se regularizando nos últimos meses, criam um intervalo no período de seca de quatro anos, que foi histórico em intensidade para toda a região sul, e que estava causando grande prejuízo econômico, sobretudo pela economia local estar voltada para a pecuária e a agricultura, principalmente o cacau.

Poluição Sonora: Nem as estátuas aguentam mais tanto barulho (4/27/2017)

“(..) muita gente associa que a poluição sonora é somente relacionada a audição, só que na verdade o que faz as pessoas perderem a saúde e até mesmo morrerem em um caso de exposição por muito tempo é o coração, o sistema cardiovascular. Então, ela pode provocar infartos e derrames. Ela é um problema de saúde pública e realmente é muito importante e deve ser tratado com o devido cuidado que merece,” analisou Marcos Holtz

Para marcar o Dia Internacional da Conscientização sobre o Ruído, celebrado dia 26 de abril, o Monumento às Bandeiras, um dos símbolos da cidade de São Paulo, feito pelo artista Victor Brecheret, recebeu fones de ouvidos para chamar a atenção da população sobre os perigos da poluição sonora.

Como parte da campanha internacional ”Conforto acústico e educação, um bem para você e sua audição”, a obra de Brecheret também ganhou uma iluminação especial amarela, que foi o tema da ação deste ano, bem como o prédio da Assembleia Legislativa. Um minuto de silêncio também foi feito no parque Ibirapuera e de um debate com autoridades públicas, especialistas, associações de bairro, estudantes e a população em geral, sobre as implicações do ruído e vibração na saúde das pessoas e soluções para a conquista de uma cidade mais silenciosa.

A iniciativa foi feita pela ProAcústica (Associação Brasileira para Qualidade Acústica), a Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente e da Umapaz (Universidade Aberta do Meio Ambiente e Cultura de Paz).

Na semana passada, o prefeito de São Paulo, João Doria já tinha publicado dois decretos para intensificar as ações do PSIU, o Programa de Silêncio Urbano, que fiscaliza o barulho em bares e restaurantes após a 1 da manhã. Quem estiver cometendo barulho excessivo após esse horário pode receber multas de até R$ 30 mil.

Em entrevista exclusiva para a Sputnik Brasil, o Coordenador do comitê acústica ambiental da ProAcústica, uma das entidades organizadoras da ação no Monumento às Bandeiras, o arquiteto Marcos Holtz falou sobre a importância que a ação teve de se usar um dos marcos da cidade de São Paulo para fazer um alerta sobre o problema da poluição sonora.

“Nós nos apropriamos desse monumento como um símbolo da cidade, e nada mais simbólico do que trazer ali a problemática da poluição sonora nesse símbolo, de que a cidade não suporta mais a poluição sonora que está sendo exposta. Nós precisamos tomar ações que diminuam essa poluição sonora, que gerenciem esses ruídos.”

A ProAcústica tem um trabalho de mostrar os benefícios das soluções acústicas na construção civil como fator primordial para o conforto e a saúde dos usuários, e segundo Marcos Holtz, além do alerta, o ato no Monumento às Bandeiras, trouxe a possibilidade de também se discutir o assunto no âmbito político. “Esse evento além de ter o papel de conscientizar e trazer para a pauta um assunto que é uma poluição invisível, uma poluição que as pessoas às vezes nem se dão conta, nós conseguimos ainda criar um fato político, que permita que se faça algo a respeito, que se crie uma política de gerenciamento de ruídos na cidade.”

De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 10% da população mundial está exposta a níveis de ruído que podem causar diversos problemas de saúde, principalmente doenças cardiovasculares.

“Segundo a Organização Mundial da Saúde a poluição sonora ultrapassou em 2011 a poluição da água, como a poluição mais nociva a saúde humana. Hoje, a única poluição que seria mais nociva que a poluição sonora seria a poluição do ar. Ela já é um problema de saúde pública comprovado. Na Europa e em países que já tem essa tradição de gerenciar os ruídos, ela já tem diversos investimentos e estudos e trabalhos a respeito de como criar um urbanismo, como modificar a cidade para melhorar a condição de vida da população em relação a poluição sonora.”

No ano passado na gestão do ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, foi sancionada a Lei de criação do Mapa de Ruído Urbano, que deve ser finalizado nos próximos quatro anos. O arquiteto ressalta que a aprovação da lei que estabelece o Mapa de Ruído da cidade de São Paulo, já foi uma grande vitória da população contra a poluição sonora e ter feito o ato no Monumento às Bandeiras vem em um momento oportuno, pois agora será regulamentada essa lei. Através do Mapa de Ruído Urbano, será possível detectar os problemas da cidade, quanto a poluição sonora e aplicar políticas públicas para amenizar o problema. Conforme estudo realizado pela Agência Europeia do Meio Ambiente, na Europa, o ruído ambiental foi o responsável por pelo menos 10 mil mortes prematuras, além de 900 mil casos de hipertensão e 43 mil internações hospitalares em 2014.

“O Mapa é para dizer em quais áreas existem os maiores problemas de poluição sonora, as pessoas mais expostas, porque muita gente associa que a poluição sonora é somente relacionada a audição, só que na verdade o que faz as pessoas perderem a saúde e até mesmo morrerem em um caso de exposição por muito tempo é o coração, o sistema cardiovascular. Então, ela pode provocar infartos e derrames. Ela é um problema de saúde pública e realmente é muito importante e deve ser tratado com o devido cuidado que merece,” analisou Marcos Holtz

Além das políticas públicas, o arquiteto destaca ainda que a população também tem um papel fundamental para ajudar a reduzir o excesso de ruído ambiental. “A questão da educação é muito importante, porque é um assunto muito pouco discutido. No caso de vizinhança isso é muito nítido. A pessoa acha que dentro de sua casa pode fazer o que quiser, só que tem uma educação que deve ser mantida para não perturbar os vizinhos. A gestão do ruído da cidade tem que levar em conta tanto a questão macro, que é a questão do planejamento urbano, a questão em meia escala, e a questão da pequena que é justamente a educação da população para um conviver pacificamente com o vizinho que está ali do lado.”

Fonte: Sputnik News Brasil

Imagem: DIVULGAÇÃO/PROACÚSTICA

Poder público discute plano municipal de saneamento básico com população (3/30/2017)

Prefeitura de Pau Brasil e corpo técnico da FUNASA discutem o Plano Municipal de Saneamento Básico com a população. O evento aconteceu nesta quarta-feira (29) as 8:30h, na câmara de vereadores da cidade. O PMSB é uma exigência legal do Governo Federal que os municípios precisam cumprir para ter acesso aos recursos federais e estaduais destinados as áreas de saneamento e urbanização.

Esteve presente o corpo técnico que vem elaborando o Plano Municipal de Saneamento Básico, composto por Cláudio Villaça Alves Engenheiro Civil e de Saúde Pública, Júlia Dellorto Advogada, Renata Mota Gestora Ambiental e Naiah Caroline Rodrigues Engenheira Sanitária, a Prefeita Bárbara Prado com o Assessor de Gabinete Fernando Silva, o Secretário de Administração Euripedes Cruz, o secretário de Infraestrutura Antônio Prado, o Secretário de Agricultura e Meio Ambiente Alberto Evangelista, o Secretário de Saúde Othon Sena o representante da SESAI o vereador Elder Almeida com o representante enviado pelo presidente da Câmara, além de membros da sociedade civil e cidadãos de Pau Brasil.

Nessa etapa do PMSB o corpo técnico apresentou o diagnostico da situação municipal em relação ao abastecimento de água, esgotamento sanitário, coleta e destinação de resíduos sólidos e drenagem, dentre outros. A versão do PMSB apresenta alternativas para solução dos problemas diagnosticados. Serão estabelecidas metas emergenciais de curto, médio e longo prazo, que serão utilizadas pra orientar o poder púbico na tomada de decisão e elaboração de projetos pra a sua atuação no saneamento básico.

De acordo com o engenheiro Cláudio Villaça, os municípios que estão sendo financiados agora pela FUNASA para fazer o PMSB estão entre os que possuem os piores índices de saneamento básico, ou seja, Pau Brasil entra nessa estatística como um dos municípios de pior índice no Brasil. Não possui esgotamento sanitário adequado na cidade, todo o esgoto é lançado sem tratamento no Rio Água Preta, o lixo coletado é despejado a céu aberto com agravante de incêndios, contaminação biológica da população, o município não possui coleta seletiva do lixo, a população não recebe educação ambiental básica sequer para separar seu lixo para melhorar a eficiência da separação para reciclagem. A população da zona rural sofre por falta de água, e não tem acesso à coleta de resíduos sólidos e nem destinação adequada do esgoto. Estes são alguns dos pontos tratados pelo PMSB, existindo outros também importantes.

Em razão do interesse público envolvido nestas questões, existe a necessidade da população participar das reuniões de elaboração do PMSB. Antes do final do ano, outras reuniões serão realizadas para discutir com a população o PMSB, e a participação é importante para que o PMSB reflita o mais fielmente possível a realidade do município e suas reais necessidades de mudança.

Após a conclusão do PMSB, esse deverá ser submetido a aprovação na câmara de vereadores sob a forma de lei municipal. As metas e projetos derivados deverão ser revistos a cada quatro anos para serem reajustados, caso seja necessário. É extremamente importante que a população conheça o que é o PMSB, é fundamental que a população cobre de seus vereadores que aprovem a lei municipal imediatamente à conclusão do PMSB, e cobre do poder público as soluções para melhorar a qualidade de vida da sociedade de acordo ao que for apontado pelo PMSB.

É relevante apontar que a reunião, apesar da chamada pública, teve pouca participação popular, e apesar da extrema relevância para o conhecimento dos vereadores do que se trata o PMSB e da reunião ter se dado dentro da Câmara Municipal, dos nove vereadores que são mantidos pela população de Pau Brasil apenas um participou da reunião, sendo extremamente importante que a Câmara de Vereadores envie mais representantes eleitos pelo povo para tratar de assuntos que transitarão na casa com a finalidade de serem aprovados como lei para melhorar a qualidade de vida da população de Pau Brasil.

Lixão de Pau Brasil sofre novo incêndio e prefeitura intensifica ações na gestão do lixo (1/28/2017)

Ontem (26) iniciou novo incêndio criminoso no lixão da cidade de Pau Brasil. Nossa equipe procurou a gestão municipal para resolver a situação, fomos recebidos pelo secretário de administração Eurípedes Cruz, mais conhecido como Nego da Mata, que se prontificou imediatamente a ir até o lixão para verificar a situação do incêndio. Nossa equipe sugeriu que abafasse o fogo com terra para extinguir o incêndio, o que vinha sendo sugerindo à administração passada nos diversos casos de incêndio noticiados por este blog sem que a mesma cumprisse com as promessas de realizar a ação.

O secretário da atual gestão, atendendo nossa solicitação, entrou em contato com o coordenador de transporteslixo27012017-2, Amadeu Filho (Dedeu), que enviou a pá carregadeira junto com mais três funcionários, além do operador da máquina, para conter o incêndio. O motorista da pá carregadeira, conhecido como “Nozinho da enchedeira”, mais três funcionários, Adenilson, Jislan e Agenilson, executaram a tarefa de modo bastante eficiente e empenhado, pois o fogo estava extremamente forte emitindo grandes quantidades de img_20170126_102550868fumaça tóxica que estava adentrando na cidade, e a ação dos mesmos resultou na extinção total do incêndio. Um dos funcionários da prefeitura, vistoriando o entorno, percebeu que o fogo havia passado para o pasto da fazenda adjacente ao lixão e apagou o fogo antes que esse se tornasse incêndio incontrolável de pasto, e possivelmente florestal.

Uma sociedade cada dia mais consumista, tal como vem se configurando a sociedade ocidental, associado ao crescimento populacional, têm gerado graves problemas ambientais. O lixo urbano mal administrado é uma dessas situações e que tem afetado a saúde da população planetária, e Pau Brasil não está imune à este problema. A população residente em Pau Brasil é de 10.852 habitantes (Censo 2010), a quantidade de lixo produzido é elevada, principalmente lixo doméstico, que é composto de papelão, vidro, latas, plásticos, sobras alimentares etc.

Andamento da tapagem (enterramento) do incêndio
Andamento da tapagem (enterramento) do incêndio

Todo lixo produzido e descartado pelos moradores é recolhido pela prefeitura que armazena os resíduos a céu aberto em área de propriedade da Prefeitura de Pau Brasil, localizado a aproximadamente 1,5 Km da Zona Urbana, mais precisamente na Rodovia 270/251 (Camacan x Pau Brasil), que devido à falta de uma cancela para disciplinar o acesso público, tem facilitado o incêndio criminoso no lixão da cidade.

Extinção total do incêndio após seu abafamento com terra
Extinção total do incêndio após seu abafamento com terra

O local de armazenamento inadequado desse material, conhecido com “lixão”, se configura improprio pois não existe controle eficiente, não conta com política adequada de tratamento dos resíduos, e toda vez que o lixo é criminosamente incendiado a fumaça invade a cidade. É perceptível a névoa tóxica que fica nos morros e o cheiro de plástico queimado que invade a área urbana. A lei n 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, que trata de crimes ambientais, inclusive poluição, diz o seguinte no Art. 54:
“Causar poluição de qualquer natureza em níveis tais que resultem ou possam resultar em danos à saúde humana, ou que provoquem a mortandade de animais ou a destruição significativa da flora: Pena – reclusão, de um a quatro anos, e multa”.
De acordo com o chefe de gabinete, Fernando Santos, conhecido como Fernando Quá, ações estão sendo feitas para resolver a situação do resíduo solido do município de Pau Brasil. No último dia 18/01, a Prefeita Barbara Prado recebeu em seu gabinete a visita do senhor Luiz A. Camargo (Consultor em Gestão Ambiental) e Naiah Caroline Rodrigues de Souza (Mestre em Meio Ambiente Águas e Saneamento e Engenheira Sanitarista e Ambiental), para apresentar a finalidade e as ações em andamento para elaboração do Plano Municipal de Saneamento Básico do Município de Pau Brasil – PMSB, e alteração do Comitê de Coordenação e o Comitê Executivo. O Plano está sendo elaborado com recursos da Funasa, com a finalidade de apontar a necessidade da instalação de um Aterro Sanitário Regional e o Sistema de Tratamento de Esgoto do Município de Pau Brasil, ações para cumprir com a legislação, bem como para proteção do Meio Ambiente.
Na quarta-feira (25) a prefeita Barbara Prado e o Secretário Antônio Prado, acompanhados do chefe de gabinete Fernando Santos, participaram de uma reunião na Superintendência de Projetos – SUPROJ/CONDER – Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado, para tratar sobre a situação da extinção do lixão de Pau Brasil, e cobrar cópia do projeto do Aterro Simplificado solicitado pela Prefeitura de Pau Brasil durante a gestão do prefeito Antônio Prado. Na oportunidade recebeu informações sobre a situação do projeto para implantação do Aterro Simplificado de Pau Brasil e do estudo Coordenado pela CONDER para implantar um Aterro Sanitário Regional para atender aos municípios de Pau Brasil. Camacã, Arataca, Mascote, Santa Luzia e Jussari, sendo implantado no município de Camacã, estudo esse já entregue a CONDER.

Prefeita Barbara e secretario de infraestrutura Prado em reunião com Larissa da SUPROJ/CONDER. Foto Fernando
Prefeita Barbara e secretario de infraestrutura Prado em reunião com Larissa da SUPROJ/CONDER. Foto Fernando

Porém acredita-se que o projeto para o aterro regional é uma ação de logo prazo, e a atual gestão pretende fazer com urgência um aterro de pequeno porte (simplificado), que atenda as especificações técnicas necessárias para resolver a situação imediata do lixo da cidade em caráter provisório e com isso eliminar o lixão. Uma outra ação associadaestá sendo articulada pela atual gestão, implantar um galpão de triagem dos resíduos sólidos.

Limpeza da cidade

A prefeitura tem trabalhado nas ruas da cidade retirando entulho e resto de poda de jardim, além de retirada deimg_20170113_075514954 areia que se acumulou nas ruas durantes os últimos anos. De acordo com o secretário de administração, os trabalhos da limpeza continuarão com a limpeza dos bueiros da cidade, que se encontram entupidos por falta de limpeza, além de consertos dos calçamentos das rodovias.
Cada cidadão pode, individualmente, se juntar ao esforço coletivo para ajudar na conservação de nosso ambiente. Com pequenas ações como levar para casa o mínimo de saco plástico possível, fazer a separação adequada do lixo para colaborar com a coleta seletiva que ajuda na redução de material que vai parar no lixão ao facilitar o trabalho dos catadores, o cidadão já colabora muito com a política pública ambiental. A simples separação doméstica do lixo entre lixo img_20170113_144056401seco, constituído principalmente de materiais plásticos como garrafas de água sanitária, frasco de shampoo, garrafas PET, garrafa de óleo, cadeira plástica, garrafa de vidro etc, e o lixo úmido (casca de frutas, restos alimentares, fraldas descartáveis, papel higiênico), já facilita muito o trabalho dos catadores e aumenta o rendimento da remoção do material para reciclagem, diminuindo consideravelmente o que necessita ir para o aterro. Os catadores têm desempenhado importante papel na sociedade evitando que o material reciclável seja lançado incorretamente no ambiente, é importante e fundamental a cooperação da sociedade.

Incêndio em lixo dentro da zona urbana
Incêndio em lixo dentro da zona urbana

É extremamente importante que a gestão municipal ofereça, através das escolas municipais e outras ações, educação ambiental para população de Pau Brasil, uma parte considerável da população ainda suja as áreas públicas pondo o lixo fora do horário de coleta possibilitando seu espalhamento por animais, jogando plástico, colchões velhos, restos de moveis e outros materiais nos montes ondes os varredores de rua juntam as folhas de árvores, e muitos moradores ainda chegam a incendiar lixo nas ruas e quintais, o que também polui a cidade e configura crime ambiental de acordo à lei de crimes ambientais.

Separação adequada para coleta seletiva - Imagem Internet
Separação adequada para coleta seletiva – Imagem Internet

Uma sociedade que não cuida de seu ambiente está fadada a desaparecer em razão da impossibilidade de sobrevivência da nossa espécie em ambientes muito desfavoráveis à nossa vida. Destruição de florestas, mudança climática, acidificação dos oceanos e poluição são, de longe, os principais problemas e desafios que estamos enfrentando neste século enquanto civilização, e precisamos pender a balança a nosso favor enquanto ainda há tempo. Aqui em nosso município já sentimos muito fortemente aspectos negativos da degradação ambiental, como a poluição de nossa atmosfera, diminuição das chuvas, desaparecimento de nascentes e de nossas florestas nativas. Este quadro precisa ser revertido.

Novo incêndio criminoso no lixão de Pau Brasil (1/3/2017)

O lixão de Pau Brasil voltou a ser alvo de crime ambiental nessa segunda feira (2), no dia seguinte à posse da prefeita Barbara Prado, e no seu primeiro dia de gestão municipal. Nossa equipe verificou logo pela manhã que havia muita fumaça entrando na atmosfera da cidade de Pau Brasil, nos dirigimos ao lixão e verificamos que o mesmo estava incendiando. Procurada logo cedo, mesmo antes do expediente na Prefeitura iniciar, a Prefeita Barbara Prado e seus secretários responderam de imediato que a situação é de fato insustentável e que seria necessário investigação imediata e providências urgentes para que o problema fosse sanado.

Demonstraram surpresa, inclusive nos informando que ao passar na estrada de Camacã na noite de domingo para segunda perceberam que o lixão da mesma também havia incendiado. Em reunião com os secretários, ficou acertado que iriam prestar denuncia na delegacia de Pau Brasill, como primeira ação, informando que estava em curso novo crime ambiental com o novo incêndio do lixão, e solicitando investigação para apuração do fato e punição dos responsáveis. A denúncia ocorreu nessa terça feira, quando o secretário de agricultura Alberto Evangelista compareceu à delegacia e nos convocou para acompanhar a denuncia, prestando queixa conforme os termos que foram acertados com os demais secretários da atual gestão. Comprometeram-se então a iniciar uma solução definitiva para resolver questão do lixo de Pau Brasil, primeiro modificando a forma como o lixo vem sendo tratado, no sentido de apresentar uma solução alternativa e intermediaria à solução ideal que é a construção de um aterro sanitário, enquanto esse não é de fato construído.

A solução vai ser discutida por uma equipe de técnicos que tratarão do problema para apresentar uma proposta que seja mais adequada e provisória, porém aceitável.

Todos concordaram que a atual situação do lixão não pode continuar, e que os incêndios são da máxima gravidade pois atinge a população da cidade com fumaça, sendo certo que a exposição à esta fumaça causa doenças.

A situação do lixão da cidade de Pau Brasil vem sendo acompanhado pela nossa equipe desde 08 de dezembro de 2015, quando ocorreu um incêndio de grandes proporções inundando a cidade de Pau Brasil de fumaça. Essa situação se repetiu durante muitos meses, tendo havido diversas discussões com a gestão anterior, o que foi dado bastante cobertura através desse blog. Nenhuma solução aceitável foi de fato implementada pela referida gestão, culminando na denuncia ao Ministério Publico, e abertura de inquérito policial contra a prefeitura de Pau Brasil em razão da situação de crime ambiental no lixão, por entender, tanto nosso corpo jornalistico como a policia e o Ministério Publico, que a área é de responsabilidade da prefeitura e que esta deve tratar de forma efetiva para a manter sob controle e evitar situações como esta. O processo encontra-se em investigação sendo constatado pela nossa reportagem que o mesmo aguarda o laudo da perita para que possa ser encaminhado à justiça com o indiciamento dos envolvidos e processo judicial.

O lixão de Pau Brasil teve seus incêndios suspensos logo após um outro grande incêndio que aconteceu às vésperas da votação das eleições municipais em outubro, fato também noticiado por este blog. Após a extinção espontânea deste incêndio, convocação de secretários da prefeitura e o próprio prefeito Alberto Rocha para prestar depoimento na DPA de Ilheus, o lixão permaneceu três meses sem foco de incêndio, sendo que estranhamente, no primeiro dia da gestão da atual prefeita, o lixão volta a ser criminosamente incendiado, mesmo antes do início do horário do primeiro expediente na prefeitura, já sob a nova gestão.

Nossa equipe continuará envidando todos os esforços no sentido de continuar com nossa investigação jornalistica sobre estes incêndios, e andamento das soluções a serem discutidas com a atual gestão para a questão do lixo da cidade de Pau Brasil.

Exemplo de cidadania e defesa do ambiente (11/28/2016)

Moradora de Pau Brasil presta serviço ambiental gratuito à mais de 30 anos na Praça dos Esportes

Residente da Praça dos Esportes planta novas mudas de árvores na praça, mais de 25 mudas foram plantadas por Lúcia Damásio só neste ano. Agora com as chuvas plantou mais 15 mudas de árvores. Entre as espécies escolhidas estão tamarineiro, castanheira, flamboyant, e pau-brasil. Lúcia é moradora do Bairro Novo, onde fica localizada a Praça dos Esportes, conta que adora plantas. Desde que veio morar no bairro há trinta anos atrás, vem plantando mudas de árvores, e o critério usado para escolha das mudas tem a ver com a espécie que Lúcia acha bonita e que possua flores e faça boa sombra.

Muda de Pau-Brasil Paubrasilia echinata
Muda de Pau-Brasil – Paubrasilia echinata

Algumas mudas são doadas por conhecidos que sabem da paixão de Lúcia em plantar árvores, outras são plantadas por ela, através de sementes, em vasilhas e depois são trasportadas para os canteiros da praça. Percebe-se o cuidado que Lúcia tem em sinalizar a área onde estão plantadas as mudas, usa madeira, pedaços de telha e outros materiais para delimitar o espaço onde encontra-se a muda. “As árvores fazem parte do meio ambiente, é bom ter plantas pois precisamos de oxigênio e da sombra que as árvores nos dão, além de outros benefícios que elas trazem.”

Lembra que já plantou mais de 100 mudas de árvores na praça, porém poucas conseguiram atingir a vida adulta pois existe muito ato de vandalismo contra as mudas de árvores, os meninos arraçam, tiram as folhas. “Alguns moradores que gostavam de plantar já não plantam mais por isso, foram se decepcionado de ver as mudas bonitinhas depois aparecerem arrancadas”. Mas nem por isso Lúcia desiste, o plantio de mudas acontece o tempo todo, já que não há garantia de que as mudas chegarão a vida adulta. Durante o verão o cuidado é redobrado, molha as mudas duas vezes por dia, pela manhã e pela tarde. Conta que tem vizinhos que até falam brincando que ela deveria receber um dinheiro da prefeitura pelo fato de gastar tanta água molhando planta. Agora com as chuvas acredita que as novas mudas tenham maiores chances de sobreviver. Torce para que as novas mudas de pau- brasil consigam chegar a vida adulta, já que muitas outras não conseguiram sobreviver.

img_4621O povo é dono dos espaços públicos que temos nas cidades, as praças são um bom exemplo de espaço publico. Percebe-se que a Praça dos Esportes tem sido frequentada por um grande número de pessoas, entre crianças, jovens, adultos e idosos, sendo notável a frequência de senhores de meia idade que tem usado o espaço para fazer atividade física. Porem é necessário que o poder publico dê manutenção constante a esse espaço, é perceptível que vários bancos da praça foram quebrados, as telas da quadra foram cortadas e a própria quadra sofre depredação, sem falar na quantidade de lixo que fica ao redor da praça. É necessário que a prefeitura disponibilize a Guarda Municipal para vigiar esse espaço, e um funcionário especializado, qualificado, em jardinagem de espaços públicos para cuidar das plantas. Necessário também que através das escolas municipais ofereça educação ambiental para os jovens e crianças, para que aprendam a respeitar o ambiente e entendam que é crime depredar os espaços públicos, não apenas da Praça dos Esportes, como de todo o município.

Após o fechamento desta reportagem verificamos que duas mudas de pau-brasil, recentemente plantadas por dona Lúcia e retratadas por nosso fotógrafo, foram vandalizadas.

Olinda Wanderley

Cientistas reclassificam e apresentam novo nome científico para a árvore pau-brasil (11/10/2016)

Apos realizarem novos estudos com a árvore pau-brasil, utilizando sequências de DNA para analisar as relações evolutivas da espécie, cientistas descobrem que a planta representa um novo gênero distinto, e mudam a classificação taxonômica da árvore. O nome escolhido para o novo gênero é paubrasilia e a espécie passa a se chamar Paubrasilia echinata. Em Agosto de 1785, o francês Jean Baptiste Antoine de Lamarck, publicou o resultado da pesquisa que deu o nome científico da espécie que ficou conhecida todos esses anos como Caesalpinia echinata.

O estudo utilizou o DNA de cerca de outras 200 plantas para descobrir as relações evolutivas da espécie. De acordo com os cientistas o pau-brasil representa uma linhagem evolutiva única e distinta, merecendo o reconhecimento como um novo gênero distinto. O estudo contou com a colaboração de seis cientistas, entre eles estavam dois brasileiros, Dr. Haroldo Cavalcante de Lima (Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, Brasil) e Dr. Luciano Paganucci de Queiroz (Universidade Estadual de Feira de Santana, Brasil). Normalmente a árvore floresce no fim do verão suas flores possuem cor amarela. A árvore pode chegar até 20 metros de altura, o pau-brasil possui espinhos no tronco e também nos frutos, dai o echinata.

A árvore pau-brasil, faz parte da história do Brasil. Em 1500 quando os portugueses chegaram por aqui conheceram a árvore pelo nome de ibirapitanga, nome de origem tupi, como os nativos a chamavam pelo fato de possuir pigmento vermelho no caule das árvores dessa espécie. A exploração do pau-brasil foi a primeira atividade econômica do país e a árvore se tornou alvo do extrativismo, justamente por possuir pigmento vermelho que era difícil na época. O pau-brasil árvore nativa da Mata Atlântica possou a ser extraída usando a mão de obra indígena, logo passou a ser exportada para Europa, para extrair o pigmento para colorir tecido e moveis, que possuía alto valor, inclusive sendo usado para colorir as roupas dos reis, a cor vermelha era símbolo da realeza.

A Mata Atlântica possui um conjunto de formações florestais que abrange 1.000.000Km², passando por 17 estados brasileiros. Durante os primeiros 30 anos de colonização no Brasil a extração do pau-brasil foi considerada a principal atividade econômica do país. Estima-se que mais de 2 milhões de pau-brasil foram derrubados para comercialização o que gerou a devastação de quilômetros da Mata Atlântica, e a quase extinção da espécie. Desde a exploração florestal no início da colonização, associada ao cultivo de monoculturas como as plantações de café e cana de açúcar, a Mata Atlântica foi reduzida para 7% da sua cobertura original.

Atualmente a espécie, agora chamada de Paubrasilia echinata, é considerada um patrimônio do Brasil, e existe lei federal que protege a árvore, considerando crime sua extração. No dia 03 de Maio comemora-se o Dia Nacional do pau-brasil.

Crime ambiental segue sem solução no lixão de Pau Brasil (9/22/2016)

O blog Pau Brasil Notícias realizou sua última inspeção ao lixão de pau Brasil nesta tarde de 22 de setembro de 2016. Averiguamos que a prefeitura não cumpriu o combinado ontem. O incêndio continua e nenhuma outra ação img_3388de extinção do incêndio foi realizada além da que ocorreu na tarde de ontem, ou seja, a mera colocação de duas caçambas de terra sem sequer serem lançadas sobre o fogo. Para o blog ficou a certeza que não houve intenção real de sanar o problema.

img_3390Do jeito que está, a queima continuará por dias, se não houver evento de uma chuva forte, exatamente como ocorreu da vez anterior, em que, extinto pela chuva, o fogo cessou por alguns meses, impedindo a atividade criminosa. O que está ocorrendo com o lixão de Pau Brasil é um crime ambiental consecutivamente reincidente. A reportagem não encontrou visível o lixo do dia de hoje, ou seja, suspeita-se que está se mantendo a mesma prática de antes de se lançar o lixo do dia sobre as pilhas que já se encontram incendiando.
Esta é uma questão que deve ser investigada exclusivamente pela Polícia que é o órgão competente na investigação e elucidação de ações criminosas, tendo em vista os riscos decorrentes desta, portanto, agora, aguardaremos as ações policiais.

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Incêndio continua sem controle no Lixão de Pau Brasil (9/22/2016)

A prefeitura de Pau Brasil não implementou ontem em caráter de urgência as medidas necessárias acordadas conosco para conter o incêndio do lixo. Nesta manhã o lixão da prefeitura continua incendiando e liberando grandes quantidades de fumaça toxica apesar das chuvas da noite.

Entendemos que a prefeitura, em medida visivelmente destinada a impedir apenas a entrada da imprensa no lixão, fechou de forma frágil a entrada do lixão utilizando de coxete de arame (estrutura de fácil e rápida remoção que não conta com segurança para impedir a entrada de estranhos). A medida proposta por nós desde dezembro de 2015 foi a instalação de portões com cadeado, e sempre nos foi dito que as pessoas arrombariam até mesmo um cadeado, é de se imaginar que um coxete, que apenas necessita o suspender de uma alça de arame, de nada servirá a não ser o impedimento de entrada de quem o tentar fazer sem ser às escondidas.

A prefeitura nunca tomou qualquer medida prática para o impedimento da entrada de pessoas não autorizadas, e menos ainda para impedir os incêndios criminosos como o que neste momento está em andamento de forma descontrolada.

Como a gestão pública se comprometeu ontem que as providências estariam em andamento, o Blog Pau Brasil Notícias espera que hoje sejam implementadas as tais medidas (abafamento do incêndio com terra). Estaremos acompanhando a situação de perto e continuaremos informando a população de Pau Brasil.

Incêndio e Crime Ambiental no Lixão de Pau Brasil (9/21/2016)

Desde 08 de Dezembro de 2015 o lixão da cidade de Pau Brasil tem sido sistematicamente incendiado, com um intervalo nos meses que aconteceram as chuvas. A prefeitura foi notificada na época, algumas reuniões formais e informais aconteceram no sentido de ser sanado o problema configurado com crime ambiental. A primeira ação notável foi a ida do prefeito Dr. Alberto Rocha e sua equipe ao lixão nesta manhã 21 de Setembro de 2016, quando estava em curso mais um grande incêndio no lixão, e nova invasão de fumaça tóxica na cidade. Vale ressaltar que reiteradas vezes fizemos a mesma reclamação que fizemos hoje, e nunca conseguimos testemunhar uma equipe da prefeitura que demonstrasse interesse em resolver o problema como hoje aconteceu, inclusive com a presença do prefeito.

Seja qual for o autor do Crime Ambiental, o fato é que houve a negligência por parte da administração municipal ao continuar mantendo a área aberta, sem portões instalados. A instalação de portões já deveria ter ocorrido à meses, pois foi acertado em reunião desde dezembro do ano passado. A falta de vigilância noturna cria oportunidade para o criminoso agir, uma vez que os incêndios sempre começam depois da saída dos catadores. O próprio prefeito Dr Alberto, assume em vídeo que a área é de risco potencial de incêndio, em razão de conter inúmeras e muito numerosas substâncias inflamáveis. Ressaltando que ao se inflamarem estas substâncias causam danos gravíssimos aos seres humanos e ao ambiente, tal como admitiu o próprio prefeito no mesmo vídeo.
Consideramos, também, que as medidas tomadas pela prefeitura para a extinção do incêndio com abafamento do fogo com terra, hoje, sugestão nossa inclusive, deveriam ter sido tomadas em caráter de máxima urgência em razão da gravidade da situação, e as mesmas só se se tornarão efetivas amanhã.
Aguardamos que desta vez a devida atenção seja dada ao problema, e que, além da extinção deste incêndio criminoso em curso, sejam tomadas todas as medidas com o intuito de descobrir os autores do crime e prevenir novos episódios de incêndios.

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